quarta-feira, 11 de setembro de 2013

Aguardente

Um laço se fez
Juntou dois corpos
Uma ventura
O início
Voavam por todo
O vasto espaço
Esvaziaram os seus copos

Fitavam as pálidas estrelas
Na tardizinha que cai
Falavam da luz mortiça do sol


Onde o eco dos seus lamentos
Percorria com o vento
Levando o que há por dentro
Um sentimento que mentiu
O escuro embaçava, não via
Se não via não tinha importância
Pois o tato saciava a sua fome
Produzindo em seus dedos olhares
Conheciam a si próprio
Apenas trocando os beijos
Apenas ....


Quando Você Me Chama


Quando você me chama
Acende a minha flama
Eu penso tantas coisas
Me olho no espelho
Arranjo meu cabelo
Ponho a blusa véia que voinha costurou
Todos meus defeitos eu tento
embaçar
Só pra você me enxergar
Da mesma forma linda
Que te quero
E te quero desde o inicio


Para escutar: http://www.youtube.com/watch?v=vwaJEf6Tt-4

Briga Valente

Abri a porta do meu peito
Achando que era ela batendo
Sem jeito querendo entrar
Pro novo começo
Mas era apenas a saudade
Disfarçada com o nome dela
Me enganando, bem feito

Fui sujeita a uma briga valente
A saudade perdeu inté um dente
E saiu gritando
Vou chamar a distancia
Te surrar nas esquinas escuras do tempo
E eu deitada no colchão mole
Doída, já consciente
Que vinha chumbo grosso
Murmurei
Quase cantando um repente
Que venha
Que venha

Pois venha



Eu Quero Ver

Vim de longe, eu vim
Vim trazendo dissipadas lembranças
Outras raízes
Que conheci por aí
De mente doce
E de rotina infeliz
Nessa saga, nesse trajeto
Com um sotaque que não tem cura
Alma veste cores celestes
Matizes de um povo sem voz
Mas que nada qualquer calçada é um quarto
Qualquer papelão projeta calor
Deixando gozar na terra todo cansaço
E a única força que resta deposita no amanhã incerto

É preciso notar que a cada passo que dá
Nos leva a um asilo de gente morta
É nocivo pensar que não se pode fazer
Pra acordar dessa cegueira proposital

Sob os arranha-céus do capital
Alguns constroem seu próprio mal
Em formação colonial
Sobre a moeda que suprime aqueles
Habituados com sua cruz
Tem alguns deitados em um berço
De esplendido conforto
Quase moco e quase oco
Só esperando seu próprio fim

Eu quero ver, eu quero ver
Eu quero ver
Nós somos mesmo o que se diz?
E nesse hino de lamuria
Me envergonho do que assisto
E de ser apenas mais uma

Não quero ser

2 de Julho


Se eu tivesse todas as palavras do mundo
Não teria todas elas capazes de dizer
O que o seu sorriso exala
Sinto falta daquele marco júbilo
Em um largo dois de julho
Só um meu olhar conjunto ao seu
Ao meio da tua cor marrom canela

Sabe aquele momento de quando o dia
Morria junto ao sol
O céu azul diminuto ficava
A penumbra da noite caia sobre nós

Se eu tivesse todos os dizeres profundos
Tudo que eu falasse era ensejo
Do desejo
Da sina que me fascina
Do meu mundo que declina em direção ao seu


Naquele Dia






Eu me despeço da saudade
E peço a ela pra não voltar
Juntei aos poucos os meus pedaços
Afugentando os risos que vão

Corre nas vistas a paisagem
Daquele dia que foi só meu
Turvando a claridade
Transborda o jorro da noite que vai
No meu canto quente
Vem me desfrutar
No teu recanto frigido
Acalanto
Procuro os encantos
Que um dia você deu pra mim
Mas percebo que tudo chegou ao fim
Só assim eu me despeço da saudade


Dopamina





É no encanto da sereia que eu me afogo
Ancoro só para ouvir o seu canto enfeitiçado
Perigoso como navalha me deixando em talhas
Fazendo escapar a minha alma
Pra pertinho de ti

Sua voz é maré que me domina
Em demasia de dopamina

Sento na areia e fecho os olhos
Com o violão a tocar
Notas de veleidade
Sinto você me abraçar
Pena já estar na hora
De desancorar

Sou um marinheiro
Só um marinheiro
Tenho que navegar
Sem ter medo, sem receio de afundar
Mas se eu ouvir de novo você cantarolar
Posso perder o juízo e naufragar

Para escutar: https://soundcloud.com/josylelis/03-dopamina