quarta-feira, 11 de setembro de 2013

Eu Quero Ver

Vim de longe, eu vim
Vim trazendo dissipadas lembranças
Outras raízes
Que conheci por aí
De mente doce
E de rotina infeliz
Nessa saga, nesse trajeto
Com um sotaque que não tem cura
Alma veste cores celestes
Matizes de um povo sem voz
Mas que nada qualquer calçada é um quarto
Qualquer papelão projeta calor
Deixando gozar na terra todo cansaço
E a única força que resta deposita no amanhã incerto

É preciso notar que a cada passo que dá
Nos leva a um asilo de gente morta
É nocivo pensar que não se pode fazer
Pra acordar dessa cegueira proposital

Sob os arranha-céus do capital
Alguns constroem seu próprio mal
Em formação colonial
Sobre a moeda que suprime aqueles
Habituados com sua cruz
Tem alguns deitados em um berço
De esplendido conforto
Quase moco e quase oco
Só esperando seu próprio fim

Eu quero ver, eu quero ver
Eu quero ver
Nós somos mesmo o que se diz?
E nesse hino de lamuria
Me envergonho do que assisto
E de ser apenas mais uma

Não quero ser

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